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Avaliação de Empresas em Crise: Como Determinar o Valor em Situações Desafiadoras

A avaliação de empresas é um processo fundamental para determinar o valor de um negócio, seja em momentos de prosperidade ou em situações desafiadoras. No contexto de empresas em crise, esse processo assume uma importância ainda maior, pois envolve não apenas a análise de suas condições financeiras, mas também a identificação de ativos intangíveis, oportunidades de recuperação e os impactos de uma eventual reestruturação.

Empresas em crise, também conhecidas como distressed companies, são companhias que enfrentam desafios geralmente relacionados com à performance operacional, ao seu nível de alavancagem e à sua incapacidade de cumprir as obrigações contratuais com credores e/ou outros stakeholders, levando a uma situação de default.

 

Neste artigo você vai saber mais sobre a avaliação de empresas em crise e entender as metodologias mais indicadas para avaliar empresas em crise, ressaltando as particularidades que esse tipo de avaliação exige.

- Por que avaliar empresas em crise é importante?
- Principais metodologias para avaliação de empresas em crise
- Como a crise afeta o valor da empresa?
- A importância de uma avaliação precisa em tempos de crise


Por que avaliar empresas em crise é importante?

Empresas em crise muitas vezes podem se ver forçadas a repensar suas estratégias, reestruturar suas operações ou até mesmo considerar a venda de ativos. Entender o valor da empresa ajuda investidores, gestores e potenciais compradores a tomarem decisões informadas, considerando os riscos e as oportunidades envolvidos.

Além disso, o valor de uma distressed companie pode ser consideravelmente potencializado em uma transação de aquisição, especialmente quando realizada por players do mesmo segmento. Empresas em crise podem ser avaliadas levando em conta o valor que pode ser gerado com uma aquisição estratégica, onde o comprador não apenas adquire os ativos, mas também melhora a performance da empresa. O comprador pode visualizar uma melhoria significativa no valor do negócio por meio de aumento de market share, redução de redundâncias e otimização da estrutura administrativa, o que pode ser um fator positivo na avaliação.

A avaliação de empresas em crise exige uma abordagem cuidadosa e ajustada às particularidades. Além das dificuldades financeiras e operacionais, essas empresas frequentemente enfrentam a escassez de informações precisas e a incerteza quanto à sua capacidade de sua recuperação. Nesse cenário, é essencial a escolha das metodologias de avaliação mais adequadas, que considerem o impacto da crise e as possíveis alternativas de reestruturação.


Principais Metodologias para Avaliação de Empresas em Crise

1. Fluxo de Caixa Descontado

O Fluxo de Caixa Descontado (FCD) é uma das metodologias mais utilizadas para avaliar empresas, pois considera a projeção do fluxo de caixa futuro, que é descontado a uma taxa de risco adequada para se chegar ao valor presente da empresa. No contexto de crise, a avaliação possui algumas características como:

Projeção de fluxos de caixa ajustados: As projeções devem ser ajustadas para refletir a realidade da crise, considerando uma possível recuperação ou até uma reestruturação das operações.

Taxa de desconto ajustada ao risco: A taxa de desconto, que normalmente reflete o custo de capital, deve ser ajustada para incorporar o risco adicional da crise. Em cenários de crise, essa taxa tende a ser mais alta, refletindo o maior risco de inadimplência, falência ou baixa performance futura.

Análise de cenários e sensibilidades: É essencial realizar análises de sensibilidade para avaliar o impacto de diferentes cenários de recuperação e deterioração do mercado. Isso ajuda a dimensionar os riscos envolvidos na avaliação e a fornecer uma visão mais realista do valor da empresa.

O primeiro passo é avaliar a empresa com base na premissa de que ela se manterá na condição de entidade em continuidade. Assim, estimam-se as receitas esperadas, as margens operacionais e os impostos, supondo que a empresa recuperará a saúde financeira, operando sob a restrição de que estará sujeita a limitações em sua capacidade de reinvestimento. Ao fazer essas estimativas, é preciso ser realista ao considerar até que ponto uma empresa em dificuldades financeiras pode ser saudável: é bem possível que a empresa precise encolher e satisfazer-se com pouco ou nenhum crescimento no longo prazo. Ao estimar as taxas de desconto, é necessário supor que os índices de endividamento diminuirão ao longo do tempo, se a empresa estiver muito alavancada, e que ela aproveitará os benefícios fiscais da dívida caso se torne lucrativa. Isso é compatível com a premissa de que a empresa se manterá como entidade em continuidade.

2. Avaliação por Múltiplos

A avaliação por múltiplos de mercado permite que uma empresa seja avaliada de forma rápida, facilitando a sua comparação com outras empresas do setor. Essa metodologia usa uma abordagem comparativa, onde se utiliza um múltiplo financeiro, como o EBITDA, lucro líquido ou vendas, para determinar o valor da empresa, com base em empresas similares do mercado. Para empresas em crise é preciso considerar:

• Escolha de múltiplos apropriados: Os múltiplos podem sofrer grande variação devido à distorção nas suas métricas financeiras. O uso de múltiplos de empresas do mesmo setor é comum, mas, em uma crise, esses múltiplos podem ser desvalorizados.

• Ajustes nos múltiplos: É essencial ajustar os múltiplos para refletir as expectativas de recuperação e o risco associado. A comparação com empresas em dificuldades também pode ser útil, pois ajuda a calibrar o múltiplo com base em um contexto de crise.


3. Avaliação pelo Valor de Liquidação ou Valor de Recuperação

Quando uma empresa está em uma situação extrema de crise, a avaliação com base no valor de liquidação ou valor de recuperação se torna relevante. Essa metodologia foca na venda dos ativos da empresa para maximizar seu valor, caso a continuidade da operação não seja viável. Particularidades para empresas em crise:

• Valor de liquidação em uma crise: Empresas em crise podem não ser capazes de continuar suas operações, tornando-se necessário um processo de liquidação. A avaliação, então, se concentra na venda dos ativos da empresa. O valor de liquidação pode ser significativamente menor do que o valor que a empresa poderia atingir em uma recuperação, pois muitos ativos podem ser vendidos a preços abaixo do seu valor de mercado.

• Processo de reestruturação e recuperação: Em alguns casos, a empresa pode ter potencial de recuperação, especialmente se ela for adquirida por um concorrente do mesmo setor. Nesse cenário, a avaliação se baseia no valor dos ativos, mas também leva em consideração o potencial de sinergia e a capacidade de redução de custos, além da estratégia de crescimento de market share.

O todo de uma empresa deve valer mais que a soma de suas partes para ocorrer atratividade econômica pelo investimento. Caso o valor da empresa em andamento atinja um valor menor que o de seus ativos, ela deve ser negociada pelo valor de realização (valor de liquidação) de seus ativos, ou seja, pelo seu valor de descontinuidade.


Conclusão

A avaliação de empresas em crise exige uma análise cuidadosa e uma adaptação das metodologias tradicionais para refletir as condições específicas do momento. O uso combinado de diferentes abordagens, como o Fluxo de Caixa Descontado, Avaliação por Múltiplos, Valor de Liquidação, pode fornecer uma visão mais completa do valor da empresa e das alternativas estratégicas para investidores ou compradores.

Além disso, é fundamental considerar o contexto da crise e as oportunidades de recuperação por meio de fusões e aquisições, onde a sinergia e a otimização das operações podem resultar em um valor potencial muito maior do que o valor atual da empresa em dificuldades. A avaliação correta permite que as partes envolvidas tomem decisões mais informadas e estratégicas, garantindo a maximização do valor de longo prazo, mesmo em tempos de adversidade.

Quer saber mais sobre avaliação de empresas em crise? Entre em contato e conheça nossas soluções.

 

 

Mauricio Vieira - Sócio Mirar Gestão Empresarial